Reunião de Pais Obrigatória

Está em curso no congresso nacional um projeto de lei para obrigar os pais a participarem das reuniões de conselho de classe das escolas, sejam elas públicas ou particulares.

Os pais terão que comparecer a pelo menos 4 reuniões anuais, sendo que deverão receber abono dessas horas no trabalho, contanto que apresentem os comprovantes de participação (que deverão ser fornecidos pelas escolas).

Se você costuma ler o meu blog, já deve saber o que eu acho de uma lei desse tipo. É mais uma intromissão do estado-babá na vida das pessoas. Assim é o socialismo (se você ainda não percebeu, o Brasil é um país socialista. E isso vem de muito antes do governo do PT e continua sendo sem ele). Como eles não conseguem regular a economia (embora não cansem de tentar), regulam todo o resto.

Mas, vamos admitir que a medida seja uma contingência pragmática para ajudar a resolver o crônico problema da educação pública no Brasil. Pais mais presentes podem cobrar resultados dos colégios, levando professores e diretores a saírem da inércia e buscarem soluções para que as crianças de fato aprendam. Se essa presença em massa em reuniões de conselho de classe tiver o poder de fazer isso, o custo a liberdade (e a produtividade das empresas) talvez seja um preço pequeno a pagar.

Mas o interessante é o seguinte: AS PUNIÇÕES SÓ ATINGEM A CLASSE MÉDIA. Alguém acha que os pais das classes D e E estarão realmente preocupados em não poder tirar passaporte? Em pegar empréstimo no Banco do Brasil (coisa que eles já não conseguem porque não têm renda mínima para conseguir)?

Chame-me de elitista se quiser. A nossa classe média tem diversos defeitos, mas não me parece que a urgência maior da nossa educação básica esteja em reformar o sistema das escolas particulares, uma vez que  essas já tem resultados amplamente melhores (em média) do que as das escolas públicas (também em média, não estou falando de Pedro II e dos CAPs e CEFETs da vida).

Então, qual é o sentido de criar uma punição que não atinge justamente a maior parte da população da qual queremos mudar o comportamento? Porque não seguram o dinheiro do bolsa-família? Estão sugerindo segurar o salário do servidor que não comparecer! Não podem segurar o dinheiro de quem tem como única obrigação para recebe-lo colocar o filho na escola?

Ou será que é porque ELES NÃO VÃO CONSEGUIR IMPLEMENTAR AS REUNIÕES NA REDE PÚBLICA?

Do jeito que a lei está sendo implementada, periga ela AUMENTAR O GAP ENTRE OS ALUNOS DAS REDES PÚBLICAS E PRIVADAS ao invés de diminuí-los!

Bravo, senhores senadores! Continuem assim que vocês vão longe!

 

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“Herege”de Ayaan Hirsi Ali – Review

“O islamismo não é uma religião pacífica”.

“Porque o problema fundamental é que a maioria dos muçulmanos, que em outros aspectos é pacífica e obediente à lei, não quer reconhecer, e muito menos repudiar, a licença teológica para a intolerância e a violência que é inerente a seus textos religiosos.”

Quem diz isso não sou eu, mas alguém que nasceu no seio do Islã, viveu em Meca e passou sua infância e adolescência em diversos países da Africa muçulmana, antes de seu pai lhe arranjar um casamento com um muçulmano canadense e finalmente fugir desse destino se declarando refugiada na Holanda durante uma escala da viagem para o casamento.

Essa é Ayaan Hirsi Ali, uma escritora nascida na Somalia, que viveu anos na Holanda (sendo inclusive eleita para o Parlamento) e que, devido a ameaças de morte pelo seu pensamento crítico em relação ao Islã, hoje mora nos Estados Unidos e dá aulas em Harvard. Não é pouco para alguém que teve uma vida tão atribulada.

“Herege” é o seu terceiro livro. O primeiro que eu li. E, preciso dizer é sensacional.

A primeira coisa que fica clara é que o Islamismo não é uma religião no mesmo sentido em que pensamos o Catolicismo, as Igrejas Pentecostais ou mesmo as religiões orientais mais populares no mundo ocidental. Não é algo que você escolha e que professe de forma independente a sua vida secular.

Não. O Islamismo é um pacote totalitário completo, que rege toda a vida dos seus seguidores. É uma religião estritamente política que fecha em tudo em si mesmo e impede qualquer tipo de raciocínio fora de sua lógica circular. Quem o faz é silenciado ou morto (se morar em países islâmicos) ou perseguido (se morar nos países ocidentais, como é o caso da própria autora – considerada apóstata pelos muçulmanos). O interessante é que a perseguição vem não só de muçulmanos, mas também da esquerda liberal (no sentido americano), que inexplicavelmente se alia a algo que é fundamentalmente contra tudo que eles dizem defender.

O que o livro faz é expor essa situação, explicar porque o Islamismo é incompatível com o mundo ocidental moderno e propor que os islâmicos moderados saiam da inércia em que vivem e reformem o Islamismo, tirando de sua doutrina os elementos que permitem que os radicais consigam ser tão bem sucedidos na luta pelos corações e mentes da juventude islâmica.

“E em vez de permitir que eles se safem com meigos clichês sobre o islamismo como uma religião pacífica, nós, do Ocidente, precisamos questionar e debater a própria substância do pensamento e da prática islâmicos.”

O livro é muito bem escrito. Ayaan é uma excelente argumentadora. É fascinante que ela defenda os direitos das mulheres sem cair na esparrela do feminismo ressentido. Ela escolheu ser uma ocidental e defende com unhas e dentes esse legado.

 

Li o livro em três dias e marquei mais da metade do mesmo.

Se você quer entender o que é o Islã e o qual o tamanho do desafio que ele traz ao mundo ocidental pelo testemunho de quem viveu e fugiu de suas garras, esse é o livro perfeito! Altamente recomendado!

Superbowl LI (a que o ataque do Falcons tomou no intervalo)

Quando um time, qualquer time, consegue virar um jogo que estava perdendo por 25 pontos, alem de todos os méritos que ele deve ter tido, isso não seria possível sem alguma contribuição do adversário.

Todo mundo, inclusive eu no texto anterior, já falou do Brady. O Patriots é o vencedor, com todos os méritos, melhor de todos os tempos, o Bill Belichick é o maior general desde Alexandre o Grande, o diabo.

Mas a história desse Superbowl não é a do Patriots. É a do Falcons. Como eles conseguiram perder um jogo que, faltando seis minutos, eles tinham 98% de chance de ganhar?

Esportes são muito divertidos de se acompanhar, mas podem ser muito cruéis quando o resultado importa para você de alguma forma. Um time “grande”, que está sempre disputando, e é quase sempre o favorito, sofre uma pressão por resultado normalmente muito maior. Qualquer derrota é muito questionada. O time “pequeno” normalmente joga com menos pressão. Isso normalmente é uma coisa boa, mas tem um porém. Seus jogadores nunca estão preparados para o momento em que toda pressão do mundo cai em suas costas.

E o jeito mais comum disso acontecer é quando o time “pequeno” se coloca na situação onde o jogo está ganho, mas ainda falta metade do tempo para jogar.

Estamos falando da NFL. Não sei se cabe falar em times grandes e pequenos. Mas, acho que todos vão concordar que o Patriots hoje tem muito mais tradição e cobrança que o Falcons sonhava ter. Para o Patriots, era “apenas” mais um título. A maioria ali já foi campeão. A vida não ia mudaria com a vitória.

Mas, e o Falcons? Como evitar o pensamento “eu vou ganhar o Superbowl”e focar em “Play 60!”, “Do your Job!”, ou qualquer outro mecanismo de programação neuro-linguistica que o time use para não perder o foco pelos longos 30 minutos restantes depois da maior performance de todas as suas vidas?

Não é fácil. Não é nada fácil.

Olhando o scout do primeiro tempo você vê que o Atlanta praticamente só fez big plays, jogadas acima de 10 jardas. As jogadas curtas estavam bem marcadas. É como se o Bill Belichick tivesse dito: “vocês ganhar  o Superbowl? Então vão ter que ganhar bonito!”

E olha, eles quase ganharam. Com um segundo quarto perfeito, eles botaram 21×3 e parecia barato, pois o Martellus Bennett ainda salvou o que tinha tudo para ser um segundo pick-6 do agora GOAT Supremo do Universo.

Não é que as jogadas de larga distância tenham sumido. Elas apenas voltaram para um nível mais normal. O problema é que as jogadas curtas não entravam de jeito nenhum. E a contusão do Coleman tirou um pouco do dinamismo do jogo corrido. Ainda assim, era pra ganhar, se não fossem erros mentais ridículos.

Eu podia falar das chances de field goal perdidas, do cansaço da defesa, mas isso todo mundo já falou. Vou mostrar algo que talvez vocês ainda não tenham visto. O fundamental sack com fumble no Matt Ryan na quarto período do jogo.

Onde estava a cabeça do Freeman para, numa jogada de passe, ficar olhando para o lado e não para o cara que ele teria que bloquear? Não é que o Patriots estava escondendo a Blitz… Olhem a foto do logo após o snap:

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E agora, dois frames depois…

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Procurem o vídeo da jogada. O desgraçado entrega que é um passe para a esquerda durante o PRÉ-SNAP inteiro! Ele está no blind side, tem um monte de rusher babando na linha de scrimmage, e ele está ali pensando no que vai fazer a noite… Eu te respondo: chorar o resto da vida…

Se fosse só esse erro… O Patriots é que nem o Jason. Ou tu mata bem matado, ou ele volta do túmulo pra te matar… O Falcons resolveu ir passear no cemitério…

 

 

 

GOAT x G.O.A.T.

O que foi esse Superbowl LI?

Para responder com mais precisão, ainda vou ter que ver o replay do jogo no Gamepass, principalmente com a câmera de cima, para ver se algumas teorias que formulei durante  as poucas horas em que fingi dormir montando na minha cabeça. Por isso, uma coluna opinativa a respeito do jogo vai ter que esperar um pouco.

O que eu quero falar agora é sobre o “legado” do Tom Brady.

Será ele o “Greatest Of All Time”?  Ou será só um Bode mesmo, comendo grama por aí?

Passamos a semana temporada toda discutindo isso no Fumblecast. Principalmente, nessa semana que antecede superbowl. Resumindo muito, os torcedores do Patriots acham que é um fato incontestável. Os demais, de maneira geral, acham que ele é um cara bom que tem muita sorte e o melhor técnico de todos os tempos.

Preciso começar dizendo que acho que esse tipo de conversa só faz sentido em boteco. O jogo evolui, a importância do jogo aéreo hoje é muito diferente do jogo antigo, então o skillset requerido era muito diferente. Cada época tem o seu melhor QB.

Além disso, o jogo é muito mais coletivo do que parece. O QB é muito visível porque ele fica com a bola. Mas, sim, ele depende dos grandalhões que o protegem, dos recebedores conseguirem se desmarcar e dos corredores conseguirem ter um bom jogo para que a defesa não possa concentrar só no que ele faz.

E mais, ele precisa que a defesa ajude um pouco e não tome tantos pontos quantos o ataque consegue fazer.

A história está cheia de ótimos QBs que são reconhecidamente bem sucedidos mas que não transformaram essa qualidade em títulos. Dan Marino é o exemplo mais claro. Casos mais recentes são Drew Brees e Aaron Rodgers, os dois com um SB apenas, enquanto o Eli Manning tem 2. O seu irmão, Peyton Manning, com todos os recordes que vem sendo quebrados pelo Brady, pode entrar também nessa categoria.

Acreditem, a maior diferença entre o Tom Brady e o Drew Brees é a qualidade histórica de suas defesas.  E isso não é demérito ao Tom Brady. O baixinho do Saints é muito bom mesmo.

O Aaron Rodgers é o cara mais talentoso que eu vi jogar desde que acompanho futebol americano sistematicamente (não vou falar do Joe Montana porque vi poucos jogos e não com o olhar que tenho hoje). Mas, talento não é tudo. Faltam ao Rodgers alguns intangíveis que o Brady tem de sobra.

Tudo isso é questão de opinião. O que podemos comparar são os resultados. E nisso, o Tom Brady é o Schumacher da NFL. Sendo que, diferente do alemão, ele tem diversos concorrentes a sua altura. Todos esses contemporâneos de quem já falamos são futuros Hall of Famers. E nenhum deles chegou perto dos resultados do Mr. Bündchen.

Ah, mas e o técnico? Não seria ele o real motivo do sucesso do Patriots?

Como eu disse, o jogo é muito mais coletivo do que parece. O Bill Belichick realmente faz muita diferença. Não há dúvida que ele é um dos grandes, ao lado de Lombardi, Walsh, Madden, Parcells (que foram técnicos dos grandes QBs do passado também).

Mas, por mais que a questão estratégica esteja resolvida de antemão, ela precisa ser executada em prática. A principal função do QB é reconhecer os padrões da defesa e escolher a jogada certa do playbook. A execução vem depois disso. E, aqui entre nós, o Brady faz as duas coisas quase a perfeição. Se colocou no buraco ontem, é verdade. Mas teve disciplina e perseverança suficientes para sobreviver e esperar a virada da maré.

Futebol Americano é um xadrez físico e mental. Você precisa fazer as duas coisas bem. E o cara joga aos 39 anos como se tivesse 30. Sua gana de vencer  é a de um Ray Lewis. E ele tem que domar esse instinto e jogar de cabeça fria. E ele consegue. Ano após ano.

Eu não sou torcedor do Patriots, até queria que o Falcons ganhasse ontem. Mas é preciso saber reconhecer a grandeza quando ela está a sua frente.

Brady ontem ganhou algo maior que o seu quinto anel. Ganhou o fim dessas discussões. Como disse o Paulo Antunes ao final da transmissão, se você quer dizer que o Tom Brady NÃO é o GOAT, ok, mas o ônus da prova é seu.

Ah, NFL, porque você me abandona todo ano antes do carnaval e só volta em setembro?

La La Land

Quais são seus sonhos? Aqueles pelos quais você estaria disposto a abrir mão de tudo para realiza-los?

La La Land, musical candidato a uma batelada de Oscars (14) esse ano, tenta contribuir com esse debate ao nos contar o romance entre Mia e Sebastian. Ela, é uma clássica atriz a procura de emprego que trabalha de garçonete enquanto não consegue e ele é um pianista de Jazz que tem dificuldade em aceitar como o mercado da música realmente funciona.

O filme começa com os esbarros casuais dos dois personagens e, durante essa fase, é um musical bastante convencional, com números de ensembles e dança nos ambientes mais insólitos possíveis (a cena de abertura, LA sendo LA, é em um engarrafamento em cima de um viaduto). Depois que o romance engrena, o filme melhora bastante. E, quando o desfecho começa a ser preparado, torna-se realmente um filme interessante.

Além da discussão sobre como desenvolver sua carreira, que riscos correr, como equilibra-la com a vida pessoal e as consequências disso, o filme na verdade é uma grande homenagem a Los Angeles, apresentando o seu céu em cores sempre deslumbrantes e em um majestoso Cinemascope (aquele formato de tela comprido que não se usa mais porque dificulta a transição para as tvs). A narrativa conta com um elemento de passagem do tempo através das estações que, sinceramente, não me parece adicionar nada ao roteiro além de vender o turismo em LA em qualquer época do ano.

O que fica a dever um pouco são os números musicais. Não que sejam ruins, mas são meio óbvios. O que se ouve de melhor no filme  são as bandas de Jazz que tocam nos clubes que o casal frequenta e os improvisos de Sebastian ao piano. Dos números cantados, apenas a música “City of Stars” realmente se destaca, onde os dois atores fazem um bom dueto, apesar de não serem grandes cantores.

Falando nos atores, Emma Stone é uma graça. Já tinha gostado dela em “Magia ao Luar”. O Ryan Gosling trabalhou em “A Grande Aposta”, mas não me lembro particularmente dele. Os dois têm boa química e fazem um  bom trabalho, principalmente levando em conta que precisam cantar e dançar.

As 14 indicações ao Oscar me pareceram um exagero. Acredito que ele concorra fortemente em  Direção de Arte, Figurino e Edição, mas ficarei surpreso se ganhar em quesitos mais badalados.

Resumindo, é um bom filme, mesmo para quem não é tão chegado em musicais. Além de divertir, lhe fará sair da sala refletindo sobre as escolhas que fez na vida.

Mudança de Expectativas

Após um início muito produtivo, onde consegui fazer um pelo menos dois artigos por semana, a fonte secou e não sabia mais bem sobre o que escrever.

A verdade é que escrever artigos bem fundamentados dá trabalho. Uma coisa é emitir uma opinião qualquer no facebook e depois ir a melhorando a medida que os comentários aparecem. Outra, é escrever um artigo de blog onde, a princípio, espera-se que o texto seja uma obra terminada, aberta apenas a correção de erros de ortografia ou de construção.

Uma outra questão é que eu comecei esse blog sem saber exatamente sobre o que eu queria escrever. Eu tinha uma série de ideias sobre assuntos diversos (daí o título, “Comentarista de Tudo”) e finalmente coloquei algumas delas no papel (virtual). Mas percebi que outras não estavam amadurecidas o suficiente para virar um texto que eu gostaria de publicar. Acredito que isso virá com o tempo.

Também percebi que a qualidade das crônicas (textos sobre ocorrências quotidianas) estava variando muito. Estava me obrigando a escrever sobre qualquer coisa que acontecesse e nem sempre tinha uma opinião que saísse do que já sai por aí. Eu não sou um jornalista profissional, nem pretendo ser.

Sendo assim, vou concentrar os textos do blog em comentários de livros, discos, peças e filmes que eu venha a assistir e que eu gostaria de compartilhar. Comentários políticos do quotidiano ficarão no facebook mesmo.

Eventualmente escreverei crônicas, mas apenas quando eu achar que tenho um ponto de vista peculiar e me reservo o direito de ficar calado quando bem entender .

Vou tentar manter pelo menos 2 artigos por mês. Tentar trocar quantidade por qualidade. Espero que dê certo e vocês gostem.

 

 

Devagar com o andor

Há dois meses, quando um Helicóptero da PM caiu na cidade de Deus, eu pensei o que todo mundo pensou. Que ele foi alvejado. E escrevi sobre isso, metendo o pau na mídia, que aparentemente estava tratando a coisa como acidental. E quebrei minha cara.

Espera-se que o ser humano aprenda com os erros. Eu pelo menos tento. Então, agora que caiu o avião onde estava o Ministro Teori Zavascki, eu prefiro ser mais prudente com meus vaticínios (segue link com um apanhado de todos mitos e fatos sobre o assunto).

Não que a coisa não seja estranha. Mas eu não acredito que um possível atentado tivesse como alvo simplesmente impedir a homologação do depoimento do pessoal da Odebrecht.

Pois está tudo documentado. Diversas pessoas já tiveram acesso aos documentos. E os delatores estão vivos. Poderiam delatar tudo de novo. Se tiverem suas intenções frustradas, podem chamar a imprensa e falar tudo o que sabem.

Afinal, o que eles teriam  a perder? A vida? Não que elas estejam muito protegidas com o seu silêncio. Não seria uma fatalidade se esses caras morressem numa rebelião no presídio onde estiverem lotados? Será isso mais improvável que a queda de um avião?

Até o presente momento, o falecido não havia dado nenhuma pinta de ser mais rigoroso que qualquer um de seus pares. Não estamos falando do Joaquim Barbosa, em pleno mensalão, fazendo o que ninguém tinha feito até então. Nem mesmo do Moro, juiz de primeira instância, indo atrás dos poderosos.

Agora, se comprovarem a tese do atentado, espero que não acabe que nem a história da Portuguesa em 2014, quando ela foi subornada, mas “ninguém” se interessou em descobrir quem subornou.

Vamos aguardar os fatos.