“Herege”de Ayaan Hirsi Ali – Review

“O islamismo não é uma religião pacífica”.

“Porque o problema fundamental é que a maioria dos muçulmanos, que em outros aspectos é pacífica e obediente à lei, não quer reconhecer, e muito menos repudiar, a licença teológica para a intolerância e a violência que é inerente a seus textos religiosos.”

Quem diz isso não sou eu, mas alguém que nasceu no seio do Islã, viveu em Meca e passou sua infância e adolescência em diversos países da Africa muçulmana, antes de seu pai lhe arranjar um casamento com um muçulmano canadense e finalmente fugir desse destino se declarando refugiada na Holanda durante uma escala da viagem para o casamento.

Essa é Ayaan Hirsi Ali, uma escritora nascida na Somalia, que viveu anos na Holanda (sendo inclusive eleita para o Parlamento) e que, devido a ameaças de morte pelo seu pensamento crítico em relação ao Islã, hoje mora nos Estados Unidos e dá aulas em Harvard. Não é pouco para alguém que teve uma vida tão atribulada.

“Herege” é o seu terceiro livro. O primeiro que eu li. E, preciso dizer é sensacional.

A primeira coisa que fica clara é que o Islamismo não é uma religião no mesmo sentido em que pensamos o Catolicismo, as Igrejas Pentecostais ou mesmo as religiões orientais mais populares no mundo ocidental. Não é algo que você escolha e que professe de forma independente a sua vida secular.

Não. O Islamismo é um pacote totalitário completo, que rege toda a vida dos seus seguidores. É uma religião estritamente política que fecha em tudo em si mesmo e impede qualquer tipo de raciocínio fora de sua lógica circular. Quem o faz é silenciado ou morto (se morar em países islâmicos) ou perseguido (se morar nos países ocidentais, como é o caso da própria autora – considerada apóstata pelos muçulmanos). O interessante é que a perseguição vem não só de muçulmanos, mas também da esquerda liberal (no sentido americano), que inexplicavelmente se alia a algo que é fundamentalmente contra tudo que eles dizem defender.

O que o livro faz é expor essa situação, explicar porque o Islamismo é incompatível com o mundo ocidental moderno e propor que os islâmicos moderados saiam da inércia em que vivem e reformem o Islamismo, tirando de sua doutrina os elementos que permitem que os radicais consigam ser tão bem sucedidos na luta pelos corações e mentes da juventude islâmica.

“E em vez de permitir que eles se safem com meigos clichês sobre o islamismo como uma religião pacífica, nós, do Ocidente, precisamos questionar e debater a própria substância do pensamento e da prática islâmicos.”

O livro é muito bem escrito. Ayaan é uma excelente argumentadora. É fascinante que ela defenda os direitos das mulheres sem cair na esparrela do feminismo ressentido. Ela escolheu ser uma ocidental e defende com unhas e dentes esse legado.

 

Li o livro em três dias e marquei mais da metade do mesmo.

Se você quer entender o que é o Islã e o qual o tamanho do desafio que ele traz ao mundo ocidental pelo testemunho de quem viveu e fugiu de suas garras, esse é o livro perfeito! Altamente recomendado!

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