A cessão de bens as Telecoms e a inconsistência da esquerda

O pessoal da esquerda não pode nunca ser acusado de consistência.

Depois de passar 13 anos quietos enquanto o governo petista fazia enormes transferências de renda para empresas do Eike Batista, perdoava dívidas de governos amigos com o Brasil, obrigava o BNDES a fazer investimentos secretos em obras de governos amigos (Porto de Cuba apenas como exemplo), e diversas transferências de dinheiro para os amigos da mídia, agora eles resolvem dar um escândalo devido a um projeto de lei que muda o marco regulatório das Telecomunicações e, entre outras coisas, cede os ativos que ficaram com a união quando da privatização (porque as concessões não eram definitivas – o que está mudando agora). É bom dizer que a cessão dos ativos não é de graça, ela exige contrapartida de investimentos no valor reconhecidos dos mesmos.

Em primeiro lugar, o questionamento é pertinente. Mesmo que faça sentido e seja uma solução razoável, cabe a quem está propondo isso convencer a sociedade e a maioria do congresso. Parece que houve uma tentativa de queimar etapas do processo e que tal coisa foi barrada pela turma da esquerda. Que nesse caso agiu bem.

Pena que eles só fazem isso por motivos políticos e não necessariamente patrióticos.

Eu sinceramente não sei se o governo está certo ou errado em ceder esses ativos. Como também não sei como ele garantiria que as contrapartidas seriam de fato efetivadas. Acho que tudo isso tem que ser realmente melhor discutido e que a sociedade tem o direito de entender o que está sendo feito.

Mas, o que é pior? Ceder ativos que já estão em usufruto das empresas de telecom há mais de vinte anos em troca de novos investimentos (que se reverterão em serviços à população brasileira), ou financiar obras em outros países sem que nem saibamos as condições desses investimentos? Será que o país com a taxa de juros mais alta do mundo deveria realmente ceder empréstimos para outrem que não sua própria população?

Ah, mas esses empréstimos eram para facilitar a contratação de empresas brasileiras para as obras. Que empresas? Odebrecht, Camargo Correia…

Aí estava tudo certo, né?

O problema não é cobrar o governo atual pelas suas ações e exigir que ele se explique. É fazer isso depois de ter passado 13 anos deixando tudo correr frouxo e agora cobrar os outros por ter batido panela para retirar parte da corja anterior (porque a corja atual estava lá junto com eles, foi eleita junto, apesar deles jurarem que não).

Como eu disse no Facebook, a diferença é que se o Temer cair, eu não vou dizer que é golpe, não vou fazer uma defesa do sujeito e muito menos ajudar na vaquinha para pagar pela sua defesa. Mas eu não obrigado a bater panela.

Cada um se indigna com o que quer.

 

 

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2 comentários em “A cessão de bens as Telecoms e a inconsistência da esquerda”

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