VAR ou não VAR

Quando eu montei o blog, decidi evitar os resultados do futebol como assunto para o blog. A quantidade de confusão e inimizade que gera não compensa os poucos bons debates que podem vir disso.

Mas o futebol é interessante demais para não aparecer quando surgem questões de maior alcance. 

Pois bem, a FIFA resolveu testar a revisão em video na edição desse ano no mundial de clubes. 

Coisa que já deveria ter feito há muito tempo. Não vou nem falar do Futebol Americano. O Rugby já usa. Até o “poderoso” Hockey de Campo já implementou o desafio. 

Só o futebol, o esporte mais popular, que tem mais dinheiro envolvido, onde existem mais dúvidas quanto a integridade do jogo, é que continuava arrumando desculpas para não fazer o óbvio.

E qual foi a maior contribuição do auxílio eletrônico até agora (escrevo antes da final, que começa as oito da manhã)? 

Marcar um penalti imperceptível a olho nú num lance fora da bola onde o atacante talvez estivesse impedido (ah, a ferramenta não pode ser usada para impedimentos).

Se houvesse um plano diabólico para acabar com a idéia da revisão eletrônica, ele não poderia ter sido melhor executado!

Pelo menos dois conceitos estão sendo aplicados de forma errada, na minha opinião. Vou citá-los, mas pretendo detalhar o segundo.

O primeiro é deixar o video “ter vida própria”. O pessoal do vídeo tem que estar subordinado a arbitragem e não acima dela. Eles devem atuar quando convocados, e em questões específicas, a pedido do árbitro ou dos capitães (em situações definidas pela regra). 

O segundo é justamente não tratar do impedimento, que é o problema que mais gera desconfiança dos torcedores e que é uma coisa altamente objetiva.

A FIFA argumenta que “pararia o jogo demais”!  Mas o jogo não precisa parar. É só mudar o jeito de tratar o impedimento.

Se um dos conceitos do jogo é o fluxo constante, então devemos evitar pará-lo, é um contrasenso a partida parar quando o assistente levanta a bandeira.

O impedimento não deveria ser visto como uma infração, mas como uma objeção. O bandeira viu um jogador impedido, ele marca. Mas a jogada continua. Para evitar que ele fique de braço levantado, poderíamos adotar as flanelas do futebol americano.

A jogada continua normalmente e só seria avaliada quando ocorresse uma das seguintes coisas:

  1. A defesa recupera a bola de forma clara, seja em campo, por falta do adversário, lateral, ou tiro de meta – o possível impedimento foi irrelevante, segue  o jogo.
  2. A bola sai rebatida pela defesa (em escanteio ou tiro de meta) sem haver posse de fato pela mesma – nesse caso, o impedimento seria marcado nesse momento, permitindo a cobrança no local de origem ou a reversão da bola, a critério do defensor.
  3. A defesa comete uma falta – nesse caso, o impedimento anularia a falta, mas não isentaria o atleta infrator de eventuais medidas disciplinares que o árbitro julgasse relevantes.
  4. O ataque faz o gol – que seria a anulado e convertido na cobrança do impedimento.

Nos casos 2 e 3, a revisão só aconteceria por desafio do time atacante. Caberia a este, através do seu capitão, avaliar se o lance vale o risco de gastar um dos desafios (que tem que ser um recurso escasso). 

No caso 4, a revisão seria obrigatória. Até porque poderia ter algum impedimento que não tenha sido visto pela arbitragem.

E, claro, se a revisão não for conclusiva, vale a marcação da arbitragem. 

Pronto. O jogo nunca seria parado com bola rolando. Não precisa ninguem ficar do lado de fora palpitando. E 95% das reclamações seriam eliminadas. 

Me parece mais razoável e fácil de implementar do que o que eles fizeram até agora.

Pra mim, apenas a preguiça mental ou a existência de outros interesses pode justificar algo parecido com isso não ser implementado.

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