Choque de gerações

Para quem não leu o artigo da Tati Bernardi na Folha de São Paulo sobre sua experiência com duas estagiárias descoladas, sugiro que leia agora!

Toda geração quando envelhece acusa os novatos de não terem a mesma disposição que a primeira mostrava quando tinha aquela idade. É o mito da “Golden age” refeito no microcosmos de 20 anos. Meu pai mesmo adorava dizer para mim e para o meu irmão que ele fazia e acontecia quando minha idade.

Dito isso, realmente há alguma coisa errada nessa galera que chegou agora no mercado de trabalho.

Nesse artigo, vou me concentrar no pessoal mais preparado, que foi criado com Leite Ninho, estudou em colégio de elite e passou para faculdade pública sem grandes dificuldades ou estudou na PUC por opção própria.

A galera mais humilde, que não teve acesso de educação de excelência (ou que teve sob circunstâncias especiais, como uma bolsa, ou que teve que conciliar trabalho com estudo), fica para outro artigo. Assim como o pessoal que nem consegue terminar o ensino médio.

Mesmo me concentrando apenas no “andar de cima”, convém atentar para os riscos da generalização. É lógico que não estou dizendo que TODO MUNDO é do jeito que a Tati Bernardi comenta. Mas, existem exemplares suficientes, que todos nós conhecemos, filhos de amigos nossos (eu não tenho filhos, então essa culpa eu não carrego) para definirmos um estereótipo!

Feitos os disclaimers, vamos lá:

Em primeiro lugar, é um pouco daquele negócio de quem nasce em berço esplendido não tem o mesmo senso de urgência de quem teve que ralar desde o início. A classe média brasileira que cresceu muito no milagre econômico, mas teve um baque parecido com o que estamos vivendo agora na década de 80. O plano real e os anos do governo do Lula, com dólar baixo e commodities em alta trouxeram um fluxo de capitais constante para o Brasil e a minha geração (o pessoal que tem de 40 a 60 anos hoje em dia) pôde dar aos filhos tudo o que não teve.

Além disso, tenho a impressão de que falhamos como pais. Nossas mulheres em sua maioria trabalham em tempo integral, ao contrário da maioria das nossas mães, e acho que não encontramos um equilíbrio para isso. De maneira geral, compensamos isso mimando nossos filhos.

Usamos o nosso  tempo livre para passear com eles e não para cobra-los em relação aos estudos (deixamos isso para os colégios). Bem… mais ou menos… Sempre desconfiamos dos professores, tiramos cada vez mais a autoridade deles sobre nossos filhos pressionando as escolas como clientes que éramos. Nossos príncipes e princesas nunca estavam errados, o professor que era tacanho em não ver isso… E os administradores dos colégios, com medo perder a receita, atenderam aos nossos caprichos.

Isso tudo aliado a uma pedagogia igualitária dizendo que não podemos avaliar objetivamente os alunos, que eles não podem nunca sofrer revezes para não se traumatizarem e está feita toda uma geração de “pequenos imperadores”.

As consequências são terríveis para o país. Investimos bilhões na educação no que deveria ser nossa elite intelectual e eles desperdiçam isso trabalhando como em profissões que mais parecem hobbies. Ok, alguns deles podem ter talento e se darem muito bem, mas isso é a minoria. Quantos “designers de joias” chegam a ter uma loja que se mantenha sozinha, que não seja bancada pelo papai?

Enquanto isso, os filhos de políticos continuam as carreiras dos pais… O resultado está aí…

PS.: Para terminar, deixo o link de um post famoso, que comenta esse fenômeno pelo prisma da expectativa que as pessoas têm do que ocorrerá em suas vidas. Tem muito a ver com o que estou dizendo, apenas tentei dar uma adaptada para a situação do Brasil.

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